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terça-feira, 5 de junho de 2012

Roland Garros 2012

Este post vai ser rapido, é mais para dar sinal de vida, afirmar que ainda não desisti do blog não, so andei ocupada demais, e de quebra mostrar umas imagens interessantes para vocês.

Ontem fui a Roland Garros novamente - tive a sorte de conseguir ir em todos os anos em que estive aqui na França, vejam so. Eu gosto muito de tênis, e a época de Roland Garros aqui na França, para quem gosta de tênis, é algo magico: fica todo mundo ligadão no torneio, quase como se fosse Copa do Mundo (mas não vamos exagerar também).

Ontem tinhamos ingressos para a quadra principal (Philippe Chatrier), e vimos alguns jogos interessantes: David Ferrer x Marcel Granollers, Maria Sharapova x Klara Zakopalova , Andy Murray x Richard Gasquet e o final do jogo Jo-Wilfried Tsonga x Stanislas Wawrinka, que não tinha terminado na véspera porque anoiteceu. Ver os jogos pessoalmente é muito impressionante. O legal também de ir a Roland Garros é poder dar uma espiadinha no treino dos jogadores - ontem vimos o Tsonga se aquecendo, por exemplo. E uma experiência muito particular é ver um jogo com qualquer tenista francês : o publico fica tão bairrista, mas tão bairrista, que esquece as boas normas de conduta do publico do tênis (do tipo não vaiar o jogador adverso, não fazer barulho no meio dos pontos, não aplaudir faltas do jogador adverso, ...). O clima é tão diferente que fica engraçado.

Em todo caso, é algo muito legal para qualquer fã de tênis, eu altamente recomendo!

Eu e a quadra central de Roland Garros

Jo-Wilfried Tsonga no aquecimento...

... no (re)inicio do jogo...

... em plena ação ...

... e dando os pulinhos da vitoria!

David Ferrer

Maria Sharapova

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Um outro tipo de montanha, um outro tipo de esqui

No ano passado, Clément e eu fomos passar um final de semana de esqui nos Alpes, e eu contei tudo para vocês neste post aqui. Este ano, também tivemos um fim-de-semana nas montanhas, mas foi um tantinho diferente: um outro tipo de montanha, um outro tipo de esqui.  

Fomos a uma cidadezinha chamada Chapelle des Bois, no maciço do Jura, uma cadeia de montanhas que fica ao noroeste dos Alpes, na divisa entre a França e a Suíça. O Jura é uma cadeia de montanhas mais baixa que os Alpes, seu ponto culminante é o Crêt de la Neige, com 1720 metros, o que pode parecer um pouco nanico ao lado do Mont Blanc e seus 4810 metros. Sendo mais baixas, as montanhas do Jura são menos íngremes, e portanto menos propícias à prática daquele esqui de "descer montanhas", que é o que mais estamos acostumados a ver, e que não por acaso aqui na França é chamado de esqui alpino. No Jura, o tipo de esqui que é mais praticado chama-se esqui de fundo ou esqui nórdico, e é basicamente um esqui de distância: as pistas te levam por um passeio pelas montanhas, com direito a metros e metros de pista lisinha e plana, mas também subidas e descidas no caminho. E tudo isto, com os seus esquis, nada de teleférico.

Antes de vir para cá, eu nem fazia ideia que este tipo de esqui existia. Para mim, esqui era descer montanhas e pronto. O esqui de fundo é bem menos popular que o esqui alpino, acho eu que por duas razões: menos velocidade e adrenalina, e muito mais fôlego e preparo físico. Não é para qualquer um. Mas como vocês sabem, meu caro marido e sua família são esportistas natos. Clément começou no esqui de fundo com 4 ou 5 anos. Meus sogros há anos e anos participam de uma corrida chamada Transjurassienne, que são 76 quilômetros de esqui pelas montanhas do Jura, todo mês de fevereiro. E aí que o Clément resolveu seguir os pais e fazer neste ano o seu "début" na Transju (apelido carinhoso da corrida).

No final de janeiro, fomos então passar o final de semana no Jura para que o Clément pudesse ter um treino um pouco mais próximo da realidade do que andar de patins in-line pelas ruas de Paris. Não me meti a esquiar desta vez, afinal nunca tentei este tipo de esqui e eram só dois diazinhos, muito curto. Aproveitei para passear pela cidade, que na verdade é um vilarejo: sabem que gosto mais destas cidadezinhas do Jura do que das estações de esqui dos Alpes ? Ali, tudo é mais simples, menos badalado, mais autêntico. Como o Jura é mais baixo que os Alpes, tem florestas de pinheiros por todos os lados, o que deixa as paisagens muito mais bonitas, então é gostoso só sair andando pela neve e admirando a paisagem. Para me distrair, no domingo de manhã estava rolando uma corrida de 40 km, e à tarde uma corrida para crianças – muito fofo aqueles toquinhos de gente esquiando.

Pista de esqui de fundo no Jura
Pista de esqui de fundo no Jura
Vista da igrejinha de Chapelle des Bois
Sopa das montanhas, para esquentar...
Envolée Nordique, corrida de 40 km
Envolée des Moineaux, a corrida das crianças
Pistas de Chapelle des Bois (não, gente, quase nada frio, este nariz vermelho é so impressão)
Para esquentar os pés, esqueçam a elegância: Moon Boots e sua camada de espuma para salvar os seus dedinhos do congelamento!
E no final de semana passado, Clément esteve por lá novamente, para a tão esperada Transju, que ele completou em 6 horas e 40 minutos, com muito frio e vento gelado na cara. Pior que acho que ele gostou, né, então quem sabe no ano que vem não teremos mais alguns dias de esqui de fundo e Jura pela frente ?

Transjurassienne 2012 (Fonte: lamontagne.fr)
(Ah, reparem que o Clément tem um « protege-pescoço » com a bandeira do Brasil. Isto deve provocar vários pontos de interrogação na cabeça de quem vê ele passar, não acham ?)

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Quem não tem cão, caça com gato. Ou : desde quando eu acompanho a Copa do Mundo de Rugby

Não sei se no Brasil a Copa do Mundo de Rugby está sendo noticiada, mas não duvido nada que a maioria dos brasileiros não façam nem ideia de que 1) isto existe 2) a edição 2011 está acontecendo desde setembro na Nova Zelânida e 3) a França está na final, domingo, contra os donos da casa.

Pois é, minha gente, eu estou por dentro da Copa do Mundo de Rugby. Os jogos são de final de semana, e como são na Nova Zelândia, com o fuso horário, acontecem no início da manhã aqui na França. Então eu inclusive andei não dormindo até meio-dia de sábado para ver a França jogar. Nas quartas de final, contra a Inglaterra, rolou até um “english breakfast” com os amigos aqui em casa, para assistir ao jogo. Enfim, acho que estou sentindo falta de acompanhar o Campeonato Brasileiro, jogos da Seleção e coisas do tipo, então estou transferindo o gosto por futebol (não sou fanática, mas sempre gostei e acompanhei um pouco) para o rugby. Porque campeonato de futebol francês não dá, né, e aquela seleção deles então, melhor nem falar...

Rugby é um esporte um tanto esquisito e bem complicadinho : no começo eu não entendia patavinas, agora estou entendendo um pouco mas ainda não consigo explicar. O básico é: passes (com a mão), só na mesma linha ou para trás. Para a frente, é só no chute e correndo com a bola na mão, até você ser bloqueado por uns 5 trogloditas. Um chute que passa por cima daquelas traves gigantes vale 3 pontos. Carregar a bola até o fundo do campo do adversário (passar a última linha e colocar a bola no chão) vale 5 pontos e dá direito a um “chute a gol” que vale mais 2 se passar. Agora difícil é entender quando é falta, quando não é, porque entre os bloqueios de tudo quanto é jeito, e os passes que sei lá eu se foram para frente ou para trás (muito pior que a regra do impedimento no futebol!), eu confesso que me perco. Mas acho divertido de assistir.

O que acho interessante também no rugby é saber que aqueles jogadores enormes, parecendo uns trogloditas, são admirados aqui na França porque se preocupam com o espírito de equipe, o valor do esporte, a honestidade. No rugby, é raro ver faltas maldosas, jogadores simulando falta, xingamentos e briguinhas desnecessárias, como a gente cansa de ver no futebol. Na França, o rugby é um esporte muito popular no sudoeste, mas no momento o país inteiro está ligado na Copa do Mundo. O “XV de France”, como é chamada a equipe (XV = 15 = número de jogadores) chegou na final meio que aos trancos e barrancos, mas chegou e é isso que importa. Para o jogo de domingo, eles são os azarões, se ganharem vai ser zebra total, já que a Nova Zelândia, além de ser a dona de casa, tem um time muito forte. A seleção da Nova Zelândia é conhecida como “All Blacks”, porque o uniforme deles é preto. E eles são mundialmente famosos por fazerem antes do início do jogo o “haka”, uma dança com origem nas tribos das ilhas do Pacífico Sul e que serve para impressionar o adversário. E olha, impressiona mesmo :



Vamos ver se os franceses vão conseguir resistir...

domingo, 10 de julho de 2011

Triathlon de Paris

Quem aí gostaria de nadar no rio Sena, em plena Paris, aos pés da Torre Eiffel?

Para quem acha que isto é coisa de maluco, saibam que quase 3000 malucos se levantaram hoje bem cedinho para fazer exatamente isto, e ainda por cima andar de bicicleta e correr alguns quilômetros pelas ruas da cidade. Para quem ficou interessado, é só anotar na agenda e se preparar para participar do Triathlon de Paris em 2012.

Foram 1,6 km de natação (no rio Sena, partindo da ponte Alexandre III e chegando na ponte de Iéna, aos pés da Torre), 40 km de bicicleta (saindo do Champs de Mars, indo até o Bois de Boulogne e voltando para os pés da Torre, com várias voltinhas no meio do caminho)  e 10 km de corrida (duas voltas no Trocadéro e ao lado do Sena nas proximidades da Torre), com a chegada na ponte de Iéna. E um dos 3000 malucos, vocês bem desconfiaram, foi o Clément, no seu primeiro triathlon. Ele chegou na 715a posição em 2 horas e 26 minutos, e ficou muito contente com o tempo - ele tinha previsto um pouquinho menos de 3 horas.

Hoje foi então mais um dia de ambiente esportivo nos arredores da Torre Eiffel, era muito divertido ver os turistas desavisados chegando para a visita mais clássica da França e dando de cara com gente saindo do rio, bicicletas, corredores. Mas o mais interessante mesmo foi observar o Sena e, ao invés de “Bateaux Mouches” passeando, ver um monte de braços e cabeças avançando naquelas águas...













E aí, quem se habilita? ;-)

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Brasil, feira de ciências, capoeira e queijadinha

No ano passado, já falei por aqui do Dia Mundial da Diversidade Cultural e da pequena exposição com stands de diferentes países que a empresa promove no nosso prédio, com a ajuda dos estrangeiros que lá trabalham. Participei no ano passado com mais dois colegas, montamos um pequeno stand. Neste ano, resolvi participar novamente, e desta vez deixei aflorar um lado meu que estava meio adormecido desde a época das feiras de ciências da escola : ficar horas planejando ideias mirabolantes para chamar a atenção na exposição, e depois passar mais horas e horas botando estas ideias em prática.

(Parênteses sobre as ideias mirabolantes para Feira de Ciências)
Já começou na 1a série, que o meu tema era higiene bucal, e então eu peguei dentaduras (!) emprestadas com a minha dentista e fiquei o dia inteiro ensinando a galera a escovar os dentes. Nesta época, acho que eu queria ser dentista.

Na 2a série, o tema era metamorfose do sapo. E o que a gente fez ? Foi catar girino (!!) no "lago" do Aquário, que na época ainda era um pântano e não o laguinho bonitinho que é hoje. Catar girino, separar por fase (tipo, contar as patinhas… ai!) e colocar nos vidros para expor… Acho que até sapinho uma amiga conseguiu pegar. Cruzes (não faria isso hoje de jeito nenhum…)

Na 4a série, eu queria ser astronauta e amava planetas, estrelas, foguetes, etc. Aí o tema escolhido foi Sistema Solar, fizemos uma maquete linda, horas pintando bolinhas de isopor dos mais diferentes tamanhos e pensando na montagem com fio de nylon para ficar mais “realista”. Mas a gente não ganhou, porque a Tati escolheu Reprodução e até levou feto… hors concours, né ;-)

Na 5a série, o tema era Ecologia, a gente fez uma maquete bem legal de um ecossistema, com um tupperware da minha mãe fazendo o papel de lago no meio do isopor (mas atenção, era bem feito, isopor grosso, o tupperware estava camuflado). A gente colocou água e peixes. E também criou um super questionário para ser respondido no Pense Bem (quem lembra disso???), com um prêmio que eu não lembro o que era.

Na 8a série (ou teria sido no 1º colegial?), nosso tema era a História das Olimpíadas, e nós fizemos uma super apresentação no computador... Ultra moderno naquela época isso de utilizar um programa super avançado e que ninguém conhecia, que deveria ser tipo o … Power Point ;-) E aí no dia toca montar o stand com aquele pczão gigante em cima, queimou a fonte por causa da voltagem (Vinhedo e suas tomadas 220V). O mais legal desta feira foi passar horas no laboratório de informática preparando tudo, com a ajuda dos monitores que eram os mais fofos ever (na nossa opinião de adolescente de 14/15 anos).

Enfim, agora que já divaguei bastante, vamos voltar ao stand brasileiro na empresa...
(Fecha parênteses)

A ideia principal do stand continuava sendo mostrar “coisas” do Brasil. Então rolou bandeira do Brasil, do Flamengo, camisa do SP, livros do Luís Fernando Veríssimo, dicionário de Tupi, sapinho de madeira e 
zarabatana que a gente comprou na Amazônia, e por aí vai. 



E as ideias para chamar a atenção foram:

- colocar DVD’s de show e de futebol para passar. Levei minha caixinha de som, ligamos no computador com o DVD da Ivete... e meu Deus, que sucesso, vários franceses parados na frente do laptop, alguns até anotaram o nome para procurar o cd. E ao lado, um outro laptop com videos de futebol, que também chamavam a atenção (principalmente dos rapazes).

- divulgar lojinha e restaurantes brasileiros aqui em Paris, e em troca negociar alguma coisa para distribuir ou sortear. Com a loja Coisas do Brasil, conseguimos suco de goiaba e de maracujá para o pessoal degustar – fez o maior sucesso. O restaurante Corcovado ofereceu um jantar para 2 pessoas, uma garrafa de Sagatiba e uma de vinho. Colocamos tudo isto para sortear, e mais uma caixa de bombons Garoto e um kit óleo+sabonete da Natura. Foi o maior sucesso, mais de 200 pessoas se inscreveram no sorteio. (sabendo que a exposição dura 2 horas, é um belo número).

- para a parte de comida da degustação, decidimos colocar salgadinhos (que compramos de uma brasileira que faz para vender aqui em Paris). Bolinhos de bacalhau e rissoles, estavam ótimos e também fizeram sucesso! Para completar com algo doce, como no ano passado eu já tinha feito brigadeiro, neste resolvi inovar e mandei uma queijadinha da vó Zilda. Fez um sucesso estrondoso, os 60 pedaços evaporaram em pouco mais de meia hora. O mais legal mesmo era a cara da francesada quando eu explicava que era uma receita a base de leite de coco e... queijo parmesão. (Vários me pediram a receita)



- e para finalizar, tivemos a ideia de trazer um grupo de capoeira para fazer uma demonstração, e a sorte é que uma das colegas brasileiras conhece bem um grupo, porque o filho dela faz e tudo mais. Vieram umas 6 pessoas fazer a apresentação, foi muito legal e muita gente assistiu.

Resultado de tudo isso: estou quebrada (porque faz uns 3 dias em que, além de trabalhar, estou para cima e para baixo indo buscar os prêmios, buscar os sucos, fazer cartazes, fazer cupons de sorteio, fazer sucos, fazer queijadinha, carregar todas as tralhas para o trabalho, montar o stand, ficar 2 horas de pé explicando em francês queijadinha- ivete-goiaba-natura-flamengo-feijoada-picanha-caipirinha). Mas estou contente, porque conversei com muita gente simpática, aberta, curiosa, gente que ficou muito contente de descobrir um pouquinho do Brasil.

Ano que vem, objetivo: batucada. :-)


terça-feira, 12 de outubro de 2010

20km de Paris

Este domingo foi um belo domingo de sol, temperatura agradável (talvez o último nesta espiral do clima em direção ao inverno tenebroso...). Nos arredores da Torre Eiffel, muito mais gente do que o costume, e os tradicionais grupos de turistas japoneses (na fila logo cedo para não perder tempo para subir) dividiam espaço com uma “tribo” diferente. (E os coitados dos vendedores de souvenirs estavam desolados de ver tanta gente que não dava a mínima bola para eles)



Eram pessoas de shorts, camiseta, meias e tênis nos pés, fazendo seu aquecimento, concentrando as energias para o momento tão esperado... Esportistas, como estes aqui:



Eu, obviamente, fui como mera espectadora. A largada foi impressionante, afinal, eram mais de 21 mil pessoas correndo por 20km nas ruas de Paris. A São Silvestre em São Paulo tem 20 mil participantes – ou seja, é algo equivalente, mas sem gente fantasiada! ;-)

O Clément treinou bastante, teve um bom dia e terminou a corrida contente, com um excelente tempo, em 872ª posição.
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